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agosto 06, 2012

Monomania.

Limitada, desarmada e totalmente imune de negar que ainda sinto. "Ainda?" Na verdade, acho que jamais deixei de sentir algo. "Acho?" Pois bem, constato: Eu nunca deixei de sentir. Além da mente, tu também sempre se manteve ativo em minh'alma e no âmago de meu coração. Por mais que eu negue, profira e decrete que por ti não mantenho mais vínculo algum, logro, engazupo e minto descaradamente par mim mesma. Por mais que eu o vulgarize, zombe e intrepidamente desonre teu nome, no fundo, bem no íntimo eu sei: Me revisto de repúdio pelo teu ser somente pelo fato de não me caber admitir que veementemente eu o sinto, mastigo, degluto, o despido; o AMO!


Goblinwand.

julho 29, 2012

Eu sei que o amor é uma coisa boa,

mas também sei, que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa.


Como eu bem sei e já conformei-me até com isso, não sou lá uma pessoa muito sociável, polida e comunicativa. Nem faço questão também de ser. Nem sou também muito previsível como a todos que me rodeiam, nem estatizo projeções futuras e muito menos tive desde sempre a idéia fixa de "amor - eterno amor"Aquele indivíduo fantasioso, lá do âmago de seus devaneios, que tu projetas para que ao teu lado, para toda a vida firme um laço, tolhe um nó e jamais desfaça esse elo. Nunca almejei. De verdade. Até então. Até tu surgires, assim, repentinamente.

Sempre enxerguei em meus pais a arquitetura mais bem trabalhada do que viesse a ser o amor. Sempre, sempre. E junto a essa idéia fixa , e também, pelo que era exteriorizado através deles e exposto a mim, embora sem veemencia e impetuosidade alguma, eu sempre almejei bem lá no meu íntimo um dia poder apalpar, ressoar e pelo mínimo que fosse aproximar-me de algo tão grandioso como aquilo que convivi toda uma existência. 

E no meio de uma vida, no centro de uma praça, na ponta de uma esquina, eu, uma menina. Uma mulher e com a vida tão displicente mas que ao fitar através de teu olhar, o peito rodeado por pássaros pôs-se a cantar. E etão tu me veio, semeou, espalhou, propagou e floriu, e matou-me, e morreu e sumiu. E eu o amei. Eu o amei breve e bravamente como se fosses a última pessoa no mundo a quem eu pudesse doar todo meu afago e meu íntegro e completo amor. Mas não deu. Eu não dei, não fui capaz, não me doei. Você viu, e eu senti e ainda assim para mim, você mentiu. Eu não soube perdoar, não soube acolhe-lo, eu não soube me amar.

Cheguei então para mim mesma, refletindo atentamente a meu reflexo interno, pûde então perceber que mesmo tão célere e fugaz tu conseguistes proporcionar a mim, quase que tudo aquilo que um eternidade inteira meu espelho genitor vivenciou: O mais puro amor.

"Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos." ♪


Goblinwand.

julho 06, 2012

Guichê 5, Senha: 364.

Já impaciente, adentrei à agência bancária. Um, dois, três, quatro... Exatos vinte e três degraus. Os subi. Quando então, me deparo com a multidão; o que deixou-me mais buliçosa ainda - totalmente sôfrega e frenética. Ainda tenho lá minhas crises fóbicas-sociais. Permaneci ali, de pé e esperando minha vez chegar para caminhar ligeiramente até o caixa e efetuar minha operação e ausentar-me logo dali. No entanto, quando constatei que ainda haviam trinta e duas pessoas à minha frente para serem atendidas, suspirei fundo, mantive a calma e como já estava ali mesmo, resolvi permanecer e esperar para receber meu atendimento. 

Foi então, que recostada à pilastra central da agência resolvi me manter quase que imóvel e analisar tudo à minha volta: - o senhor sentado na cadeira ao lado de onde eu estava, batendo o pé direito freneticamente contra o chão, a moça esquia, de óculos escuros, formosa, cabelos longos, segurando a criança inquieta no colo, o senhor na última fila que não cessa por um instante que seja o ato de fitar-me veementemente; chego a ficar meio sem graça e esquivo o olhar (minha aparência provavelmente deve espantá-lo, não? Obviamente!), e também o casal de velhinhos que passava por mim, ali, na minha frente, tão encantadores e sublimes. O senhor, seu marido, com o mais amplo grau de compreensão e paciência para com sua amada. Ela já fraca, debilitada pela idade, bruscamente interrompe seus miúdos passos: "Zé! Fiquei bamba! Estou tonta. Vamos parar um pouco!"; "Zé", então a acolhe em teus braços guiando-a à frente [...] "Vamos, Amélia, devagarinho a gente chega. Respire fundo que logo passa a tonteira, minha querida. Segure firme minha mão!", achei realmente de um portento escandaloso os cuidados dele para com ela, e por fim, ele, o atendente do Guichê 5. Pois bem, faltam-me palavras par expressar e conseguir verbalizar o que senti ao olhar fixamente para este. Indecorosamente fixei o olhar totalmente penetrante nele; apaixonei-me. Assim mesmo, à primeira vista, instantaneamente, encantadoramente, alucinadamente. E ele, obviamente reparou e prontificou-se de responder aos olhares de imediato, inclinando-se fogosamente em minha direção.

Mais parecia eu, em uma exposição de arte apreciando todo aquele monumento histórico, teatral e poético. Ele era uma mesclagem de sal & doce, um ogro, um "ogrodoce". Moreno, cabelos lisos, curto, negros, olhos arredondados, sobrancelha grossa e esquia. Não possui um corpo milimetricamente desenhado em forma escultural. Pelo contrário, é até meio "fofinho", o que na verdade, pra mim é ponto a mais - já que execro aquele tipinho físico totalmente robusto, rijo e possante. Ele é lindo. Até mesmo a cicatriz pequenina logo abaixo da boca, que aliás, o torna mais charmoso ainda.

O sinal das senhas toca ♪ 363 ♪. Logo me prontifico de agilizar os documentos necessários e os passos também, para não desmoronar ao passar por ele, o atendente do guichê 5. Mais um sinal irritantemente displicente já então, naquele exato momento. Pois sequer minhas pernas eu sentia mais. E as mãos? Mais gélidas que defunto nu, estirado ao chão. É minha vez. O maldito 364. Ele então abre a boca e em voz alta: "TRÊS, MEIA, QUATRO?!, já que o sinal apitou por três vezes consecutivas eu permaneci ali imóvel, inerte defronte a ele. Caminho então em sua direção. Talvez, naquele momento ali, fora o instante mais árduo que percorri. Árduo e excitante. Chego então à boca do balcão. Ele me sorri, com o olhar compenetrante: "Pois não, senhora?". Pensei: "Pois sim! Pois tudo, pora teu olhar em mim." Mas só pensei e retribui ao riso. Gaguejando, trêmula e aparentemente sonâmbula (pois não respondia por meus atos), mais parecia uma vespa besta, lerdaça e estúpida. Finalizei então minha operação, e dei a ele um "tchaaaau", daqueles mansos, brandos, domados... Ora, eu estava mais era parecendo um animal dócil e domesticado arreganhando s pernas para um qualquer alisar e  prestar carinho e atenção. 

Então dei-lhe as costas e rapidamente fui retirando-me do recinto. Vinte e três, vinte e dois, vinte e um, *pulo* - devo ter saltados uns três degraus de um vez. Chego no térreo, roleta, multidão, segurança, porta, e pronto; cá estou eu - na rua. Saio então como se nada tivesse acontecido e, de fato, nada aconteceu. Mas me encantei, apaixonei-me pelo atendente do Guichê 5, e que provavelmente sequer deve recordar-se da feição do meu rosto. Amores, desamores, encantos, desencantos e encontros e desencontros diários. Eu.


Goblinwand.

junho 22, 2012

Veja bem, meu bem!

Ultimamente tenho encontrado-me bastante recluso em mim mesmo. E isso é bem perceptível a olhos alheios, àqueles que com atenção fitam-me, veementemente, a olho nu, com lupas e a mil graus. Eu realmente tenho me mantido e aproximado-me somente daquilo que me traz bom agrado, bom proveito, bom ornado. E me afastado de tudo que por vezes trava-me o riso, tira noites de sono e me mantém indeciso. 

Assim como as lembranças, situações, amores e emoções; as pessoas também - elas vem e vão. Já dizia Maria Rita, em Encontros & Despedidas: "[...] tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais, tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar, tem gente que veio só olhar, tem gente  sorrir e a chorar; E assim, chegar e partir." E assim a vida segue seu percurso diário, repetindo-se na mesma estação. Coisas suscetíveis a grandiosas importâncias de ontem, hoje já não mais refletem da mesma forma ou sequer são evocadas, trazidas à lembrança. Matamos a todo tempo tudo aquilo que não é de muita valia a nós. Incorreto? Inexato? De forma alguma! Aquilo que não lhe acrescenta em nada, somente atenua, abate e subtrai, obviamente não merece permanecer adjunto a ti. De forma alguma.

Foi então que parei - eu comigo mesma, sentei-me e indaguei: "Pois é!". E fui dissecando as circunstâncias ali então expostas e a partir de uma apreciação mais profunda, constatei a seguinte peroração: "Só manterei-me ativa naquilo que encoraja-me, traz o riso, me mantém robusta e não me suga. Me sustentarei, acima de tudo, apensada somente àquilo que me faz o bem, me satisfaz e convém." E desde então, certas coisas que num pretérito-mais-que-imperfeito até então presente mantinha-me débil e combalida passou a não possuir tanta importância assim.

Pois bem, na verdade, passou a não ter é importância alguma. À vista disso tornei-me bastante propensa a tratar com displicência aquilo que não suceda de complacência. E veja bem, veja muito bem! Bem encontro-me eu agora, que, no entanto, por questões maiores, há tempos distante de mim mesma não podia mais enxergar-me. Bem... veja bem e muito além do bem - se tu almejares veementemente um propósito, até mesmo o mundo e suas desgraças, há como suprimir os erros e o reconstruírem.


Goblinwand.

junho 11, 2012

Teorema.

Não! Reencontrá-lo após todo o tempo de afastamento, obviamente não fizera com que os sentimentos retornassem. Sabes o por que? Pelo simples fato destes, jamais terem partido. Eles sequer sobrevoaram por instantes. Virem e decolaram e ainda aqui permanecem. "Sempre"? Sempre é muito, é tudo, é excessivo, exacerbado [...] Mas o que sou? Tudo isso. Sendo assim, hão também de permanecer aqui comigo, sempre. Para todo sempre. O sentimento que ainda nutro por ti.

Hoje ao vê-lo, estavas tão lindo. Creio eu, que como nunca jamais visto. Com teus olhinhos vidrados e arregaladinhos, fitando-me cara-a-cara e desferindo "aquela" falácia afetiva de xingamentos, e sendo retribuído da mesma forma a qual somente nós fazemos com tamanho vigor e empenho. 

Teu jeito desgovernado, desconjuntado, misturado àquela caidinha de ombro fatal e a cabeça pendendo para o lado direito, aturdindo-me o ser, a alma, o vão, o coração [...]. E tu chegas tão patético comovendo-me e trazendo consigo o riso, que enternece-me aos extremos: pés à cabeça. E vais embora, tão mais belo e airoso e venusto e formoso, que decaio-me em meio à calçada e lá permaneço por minutos a seguir procurando forças e haveres e forma para levantar-me e caminhar até o carro.

"[...] É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer.
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução.

[...] Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
MAS NÃO TEM FIM!"


Goblinwand.


maio 27, 2012

Tire esse azedume do meu peito, e com respeito, trate minha dor!

Talvez tua urgência impertinente em adiantar-me de tuas intenções vorazes tenha feito com que eu me esquivasse de ti. Um dó. realmente um dó, pois ao que me fora passado, pelo menos desde o início, dava a entender que querias-me para ti. E o problema nisso? É inteiramente e somente isso: Querer-me!

Oh, meu caro! Não queira a mim. Pelo menos não integralmente como almejas. É bem aquele lance de "eu possuo muitas coisas, e nada disso me possui". Por mais que sejas veemente, fiel em tuas palavras e condutas, não me terás. E não pense em momento algum que estou a lhe esnobar, mas o fato que ocorre, é como mencionei anteriormente: Sem posses acerca de meu ser. 

Por mais que eu tente, cogite a possibilidade, me empenhe ou chegue a entrelaçar-me a alguém, não consigo manter-me em tal aliança. E sendo assim, minha aptidão para romper vínculos sempre acaba vindo à tona; e todo o laço até ali dado por mínimo que seja, finda-se. Não é culpa minha, juro veementemente a ti: Não é culpa minha. Somente não sei mais lidar com relações que perdurem por ais de vinte e três horas; satura-me!

Pois bem, em amores modernos realmente há novos ritos e, confesso-lhe, que não sou conta nem sinto-me apta a a acompanhar tal situação; é fora de meu alcance e não compete á minha jurisdição. Amar todo mundo ama e morrer em término de relacionamentos amorosos todo mundo morre, mas logo após tu revigoras tem aquele feito passado somente como uma fase não muito glorificada de sua vida. E simplesmente passa. Tudo passa. Até mesmo o amor jurado por toda a eternidade passa. A única coisa que permanece e há de resistir por toda uma vida, é teu sorriso escancarado que ainda persiste em atordoar minha mente, meu caro e bravo ser desalmado.

Goblinwand.


abril 30, 2012

"[...] Sua voz está tão longe ao telefone. Fale alto mesmo grite não se importe."

Pois então, não sei se estou fazendo o certo. Pode ser que não. Na verdade, o certo nunca foi minha opção mais valida ou viável. Depois de quase um ano que nos distanciamos, estou te ligando. É, eu estou te ligando para dizer-te o seguinte: Bem, não sei o porque realmente de estar te ligando, mas estou fazendo-o. Me sinto bem babaca, estúpida e com uma incapacidade de discernimento moral e de bom senso tremendo. Gente, para que cargas d'água estou te ligando?

Olha, estou te ligando porque meus pais estão passando o final de semana fora e estamos somente eu e minha cadela rabugenta e sensual em casa e estou a fazer torradas. Me lembro que sempre fazíamos torradas com queijo e orégano. Nós, na cozinha, juntinhos, fazendo arte. E bem, você se lembra, minhas torradas sempre queimavam (quase reduzidas à cinzas). E nem com o passar nos anos tomei habilidade na coisa: Elas queimaram. E por isso estou te ligando; pelas torradas queimadas. ... Estou te confundindo, perturbado e causando um transtorno imenso, não? Tenho ciência da minha inconsequência e meu ato inconveniente, mas agora sente-se e me ouça, e quero ouvir-te também. Pois foi necessário algumas muitas doses de uísque para impulsionar-me a agir da maneira a qual estou fazendo: Te ligando! ... As torradas. Ah, pois então. ... Bem, eu não quero falar sobre as torradas (que inclusive estão ali, acabando de serem tostadas no forno). Estou sentada no chão, um tanto quanto turvada de bêbada, bastante alterada como nota-se e amanhã provavelmente eu vá me arrepender de tudo que estou a lhe dizer. Mas hoje não. Hoje absolutamente não me permito a isso.

Eu poderia por meio deste dizer-te tanta coisa. remoer, remexer e revirar o passado e apontar a você o quão ferino, equívoco e miserável fostes comigo. O quanto me julgastes mal apontando-me o dedo na cara e maldizendo ditos faltos e citações infundadas a meu respeito (ou a falta do mesmo, como você reputou naquela noite). Mas não o farei.

Sinto sua falta. Embora com todo meu esforço e veemência eu não o queira mais. Feriu-me absurdamente uma, duas, três, quatro e vinte e três vezes. Eu o expulsei de minha vida, dos meus cabelos bagunçados assim como também são minhas idéias, das minhas mãos, do meu corpo e principalmente do âmago de meu coração. Mas veja bem, eu estou te ligando. Eu quero saber-te. Quero que exponhas, que fales e que grites. Quero tomar conhecimento de com quem tens saído, dormido, acordado, vivenciado e vivido; com quem e como tens tocado teu barco? O meu naufragou. Logo após aquela noite em que tudo se abalou, confrontou, espatifou.

Pois é, estou aqui há quase uma hora falando-te, falando-te e nada ouço. Estou lhe assustando, não é mesmo? Você se quer deu um pio. Só suspira. É duro? É pesadíssimo, não? Olha, fale alguma coisa, vai! Sei que exagerei no álcool e mais ainda na capacidade de estar fazendo isso. Mas é que tu deixastes uma marca relativamente considerável em meu peito que ainda sangria. [...] Eu, eu, eu não sei. Não sei o que pensar, o que dizer... Bem, eu ... é. *Bi bi bi*.

[...] E logo após isto, desliguei o telefone. Assim, bem bruscamente. Mas não por estar envergonhada pela exposição tremenda que fiz de minha figura dotada de transtornos emocionais. Porque olha só: Eu estampei a ele, àquele homem a quem tanto amei, toda minha bravura, e sentimentalismo, rancor e afeto que ainda sentia por ele. Eu desliguei somente pelo fato de, no dia, na semana ou no mês seguinte eu viesse a telefonar-lhe mais uma vez com o pretexto de desculpar-me pela incivilidade e descortesia do fato ocorrido.  Quando na verdade, eu só iria fazer tal ligação a você para ouvir-te mais uma vez dizer: "[...] E aí, mulher?" e afrouxar, proferir e arremessar aquela entonação cativante e a gargalhada atraente, sedutora, capitosa e embriagante que somente tu possuis. Ser vil, intrépido e energúmeno!


Goblinwand.

abril 25, 2012

Solidão de Nosferatu.

E então, incrivelmente eu abandonei todo meu peso. Meu peso em doar-me, em amar em demasia, em demonstrar às pessoas realmente tudo aquilo que me abala, me feri e apunhala. Eu não falo mais. Sinto, absurdamente - mas omito. Assim é melhor.

Olha, ontem caminhando de madrugada pela cidade, sem rumo, fumando tresloucadamente e com o âmago do coração derretendo entre meus dedos, parei e decidi bater um papo comigo mesmo. Passei horas a fio a divagar. E pensei, pensei, pensei, debati, retruquei. Cheguei a uma conclusão: PAREI. Eu parei, estagnei. As coisas vão seguir seu rumo e eu me aprumarei em meio a isso tudo.

Eu sou explosiva, eu arrebento mesmo, eu rasgo tudo, eu cravo as unhas e meto a faca. Impiedosamente. Eu sinto, cara. Eu sinto demais. Talvez isso seja problema. [...] No entanto, eu só sinto quando eu sinto. Entendestes? Quando eu sinto-me sentir. De verdade. E não quando eu acredito estar sentindo.
Vezenquando aparece um cara legal, de papo bacana, de inteligência mediana e sorriso escancarador. E nos sentamos juntos na mesa do boteco, e então ele leva sua mão esquerda ao meu queijo, e passa a mão entre meus cabelos e diz que minha boca não existe e que meu sorriso traz vivacidade à sua vida, e ele aspira, espira e transcende tudo aquilo que até então fora vivido, dando ênfase ao meu cheiro o qual ele diz ser o melhor sentido até então [...] e fechando os olhos para sentir-me. Mas veja só: ele quer tocar meu íntimo, ele me quer como sendo posse dele, mulher dele, ele quer me fazer feliz, ele me quer de lés-a-lés, de par-a-par, ele quer que eu seja plena estando ao lado dele. Ele quer me propor tudo, o mundo. E então o que eu faço? Esquivo-me! O que me resta a fazer? Escapulir, furtar-me, me eximir [...] e habitualmente evitar. 

Por favor, vai. Não queira minha satisfação plena, nem me prestar favores nem deixar-me contente. Não queira tomar-me como parte de você. Nunca hei de ser. Então por favor. Mantenha-se longe. Não direi a você o  eterno clichê de "podemos ser amigos e coisa e tal". Não fomos, nem somos e muito menos seremos amigos. Eu não tenho amigos, só pessoas com quem diariamente convivo. Então por favor, tchau. Não venha cutucar-me com sua constância plena, ativa e reluzente nessa alegria toda que carregas. Me deixe aqui, vai. Bem recolhidinha em meu canto. Porque eu... meu caro... eu gosto é das dificuldades. Eu gosto é do carinha descolado e de bom humor e sorriso enigmático, esfíngico e sibilino que me liga somente uma vez ou outra para aquele chazinho batizado às 23:00 à companhia de seu violão e suas esquivações.


Goblinwand.

abril 23, 2012

Os dias andam estranhos, eu te entendo. Também queria um pouco de calor.

Resistir, durar, subsistir, conservar-se, não ceder, defender-se, não sucumbir e conservar-se firme [...] era bem esse nosso plano, não era? Mantermos-no bastante firmes e rígidos, seríamos inabaláveis. No entanto, eu decidi soterrá-lo, colocando fim a todas nossas vivencias até então. Que coisa brusca, eu o pus de lado, eu o demiti de minha vida, tão displicentemente eu não o levei comigo.

Hoje, dia vinte e três de abril de dois mil e doze, faríamos exato um ano - não só de namoro, porque somente namorados nunca fomos. Mas de uma história única e unívoca que traçamos, de um tratado que laçamos, de ocorrências de fatos que apalpamos e sucessos e particularidades relativas a tudo aquilo que juntos sentimos profundidade. Recordo-me piamente, de tudo. Tudo, tudo, tudo. Exatamente tudo. Desde nossa primeira esbarrada à não detenção da aptidão extrema para sentir. Não controlamos. Então, por água abaixo, rolamos.

Hoje, atualmente, não sei como estás. Não possuo mais a posse de notícias tuas, já não trocamos mais correspondências e nossa comunicação tornou-se bastante escassa. Nos perdemos no tempo, junto com nossas ânsias súbitas. Perdemos-no: e isso é por demais triste de se assumir. Eu perdi, deixei de ter, extraviei, arruinei, desgracei, me mantendo delida, [...] eu errei o caminho e hoje vivo esvaecida.

Eu preferi não colocar as cartas sobre a mesa, por um tempo eu preferi manter-me á espreita, à espera de qualquer benevolência vinda de ti. No entanto, o tempo teve fim e eu simplesmente morri em mim. A gente sempre acaba se envolvendo mais do que devia, mais do que podia, mais do que nossa capacidade detinha para tal. Mas ainda assim nós insistimos, vamos a frente e nos arriscamos. Eu, no íntimo de minha particularidade não sei mesmo, de verdade como lidar com sentimentos tão grandiosos que são advindos do amor sem poder ou saber tocar o infinito. Eu vou fundo, na parte densa, no extremo arraigado, no que há de mais recôndito, no íntimo, nas profundezas, eu naufrago no fundo do coração, aguando todo esse sentimento que vejo esvair sobre minha mão. [...] Oh, meu caro!

Não falar mais de ti é inevitável, mas hey de privar-me. Assim como tenho privado de direcionar meus pensamentos até você. Tem se tornado doentio, nada saudável, de clima insalubre, desgostoso e compungido. E dentre todas as coisas que juntos vivenciamos, creio que recordar-me de ti com essa falta de alegria ou descontentamento só me matará lentamente cada vez mais. Então hey de resguardá-lo no âmago de meu coração, em uma caixinha verde com enfeites dourados e deixá-la lá, à exposição do abandono, largada e em desamparo. Assim como fiz conosco: não resistindo.




"De que adianta você saber o quanto eu sinto? 
Minha dor vai ser mais problema que solução.
Por fora eu disfarço o quanto eu ando aflito, 
de só ter pra te dar meu tempo,
e minha inútil compaixão."



Goblinwand.



abril 21, 2012

And whisper: Baby, blind love is true.

E então, hoje pela amanhã acordei não sendo mais eu. Em uma cama que não era minha, habitando um corpo que não era o meu, com os cabelos e as idéias mais embaraçados do que se podia parecer, e vivenciando um mundo que eu jamais havia habitado. E então, eu me encontrava perdida.

É incrível como as coisas e as emoções e as razões modificam-se brutalmente de uma semana para a outra, de um dia para o outro, de uma hora para a outra; assim mesmo, instantaneamente. Ultimamente não tenho conseguido conciliar muito minhas intenções com uma certa constância. As coisas vão se esvaindo, e correndo pelos becos, se escondendo pelos corredores escuros e desertos, e eu vou ficando aqui: sozinha, desolada e com o martírio profundo apunhalando minha mente. E eu choro, até pegar no sono. E acordo, bem estúpida com o rímel pegando até a bochecha, os olhos inchados e o nariz escorrendo. E então eu me levanto da cama, caminho até o banheiro, lavo o rosto e tento acreditar que de fato, a vida é boa, eu sou feliz e não  nada que me impeça de ser plena; e então, eu vivo.


Goblinwand.